Portugal tratará “da melhor maneira que conseguir” os britânicos que passam a ser ´imigrantes naturais` a partir de 2021, diz MNE

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PM britânico e MNE português. Foto: Horacio Villalobos - Corbis/Corbis News ©

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, garantiu que irá tratar “da melhor maneira que conseguir” os britânicos residentes no território português, mas reconheceu que as novas políticas migratórias pós-Brexit, a vigorar a partir de 2021, são “um dos vários berbicachos” que Portugal e a União Europeia têm pela frente.

O chefe da diplomacia portuguesa não esclareceu se os cidadãos britânicos residentes em Portugal passam a ter o mesmo estatuto de mais de metade dos ´imigrantes naturais` que integram a lista das 104 nacionalidades existentes no território português e que são provenientes de outros espaços fora da Europa.

“A minha resposta à pergunta muito direta sobre como é que eu vou tratar os cidadãos britânicos residentes em Portugal é muito simples: da melhor maneira que eu conseguir. É esse o interesse de Portugal, sobretudo, quando Portugal tem no Reino Unido o seu melhor mercado de turismo”, disse Augusto Santos Silva, quando confrontado esta quarta-feira em sede de comissão parlamentar pela deputada do PSD Isabel Meireles, uma questão também levantada por Bruno Dias, deputado do PCP.

Parafraseando o novelista Camilo Castela Branco, um dos grandes génios da literatura portuguesa do século XIX, o chefe da diplomacia considerou que as políticas de imigração que o Reino Unido pretende adotar a partir do próximo ano são “um dos vários berbicachos” que Portugal e a União Europeia têm pela frente.

“E não é único”, referiu Augusto Santos Silva, assegurando que as autoridades portuguesas têm, no entanto, “todo o interesse em tratar bem os cidadãos britânicos em Portugal”.

“Eu não recomendo que a gente entre numa lógica retaliatória”, até porque “queremos mais britânicos em Portugal, queremos que os que estão em Portugal se sintam bem e nunca nos esqueçamos da relação muito especial que temos com o Reino Unido”, disse o ministro.

Na semana passada, o Reino Unido anunciou que irá adotar novas regras para a imigração pós-Brexit, que passam por exigir aos imigrantes, por exemplo, saber falar inglês, ter qualificações académicas que possibilitem ganhar um salário mínimo anual de 25.600 libras (30.800 euros), requisitos que poderão dificultar o acesso aos cidadãos da União Europeia àquele país situado no noroeste da Europa.

“Evidentemente que o Reino Unido aprenderá por si próprio que se puser à cabeça obrigações do tipo ter de pagar 1200 libras só para pedir o visto para autorização de residência rapidamente terá muitos problemas do ponto de vista do seu mercado de emprego”, alertou.

Augusto Santos Silva, assinalou que “o Reino Unido é soberano em matérias de políticas de imigração”, contudo avisou: “Está a anunciar políticas de imigração que não são compagináveis com a lógica europeia”.

“Mas esta foi uma das razões para as quais quiseram sair” do espaço Schengen, disse.

O governante lembrou o caráter de “transição suave” do acordo de saída alcançado por Reino Unido e a União Europeia visando materializar o Brexit.

“Nós conseguimos um bom resultado, que foi o acordo de saída e que agora está a desenrolar-se. E como sempre tínhamos dito, o acordo de saída significou que havia uma transição suave em que de ponto de vista prático tudo continuava na mesma até ao fim do próximo ano criando condições mais favoráveis para o trabalho verdadeiramente difícil que é relação futura”, sublinhou Augusto Santos Silva.

Hoje, o governo britânico publicou um documento de 40 páginas no qual admite abandonar as negociações de um acordo de comércio com a União Europeia para um acordo pós-Brexit, que começam na próxima semana, se não houver progressos até junho, altura para a qual está marcada uma cimeira de alto nível para avaliar os progressos das discussões entre Bruxelas e Londres. (MM)

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