Portugueses em Angola já não podem regressar. E@gora?

0
571
Companhia aérea angolana. FOTO: Fábio Vilela ©


Alexandra Silveira

Governo angolano suspende voos internacionais a partir do dia 20 de Março. Como estão a reagir os expatriados à situação de calamidade. E ao fecho de fronteiras. Angola volta a ser o eldorado com zero casos de Covid-19 detetados?

É oficial. A partir da meia-noite do dia 20 de Março, estão suspensos, por 15 dias prorrogáveis, todos os voos internacionais de e para Angola, anunciou, em comunicado, Gaspar Santos, diretor do Instituto Nacional de Aviação Civil de Angola. Este vem no seguimento de um anterior que cancelava os voos da companhia aérea nacional TAAG de e para Lisboa e Porto, prevendo-se que, a todo o momento, as medidas seriam mais drásticas.

“Já estávamos à espera, até porque o fato dos números estarem a crescer em Portugal e na Europa quando Angola ainda se mantém com zero casos oficiais, antevia que o fecho de fronteiras fosse uma realidade”, afirma António Cordeiro, 42 anos, empresário português residente em Angola há 15 anos, mas com a família em Portugal.

A sua vida é, portanto, um vaivém constante, mas agora vai ser obrigado a parar. E perante este dilema- Angola ou Portugal – preferiu o primeiro. Explica porquê. “Já tinha viagem marcada para Portugal há uma semana, mas decidi adiar por causa das restrições no meu regresso. E eu precisaria mesmo de regressar. Tenho uma fábrica para gerir e trabalhadores que dependem de mim”. E a família? “A família está em Lisboa e estamos sempre em contacto. Muito preocupado com a progressão do vírus, mas…”. Mas a verdade é que António não seguiu o conselho do Portal das Comunidades Portuguesas , datado de 15 de março onde se pode ler:

“Atendendo à enorme volatilidade da situação internacional no quadro do Covid-19, com consequências gravosas em termos de espaço aéreo e constantes suspensões na atividade de múltiplas companhias aéreas, o Governo aconselha que todos os cidadãos nacionais em viagem no estrangeiro em turismo, negócios ou por outras razões, efetuem, de forma urgente, esforços no sentido de antecipar o seu regresso a Portugal”.

Inês Maria, 55 anos, lisboeta, também não regressou.

“Tanto quanto sei, a maior parte dos portugueses, não residentes ou com dupla nacionalidade, já regressou a casa, em muitos casos tem a ver com o facto de terem a família no país de origem. Apesar dos constrangimentos, sentem-se mais seguros estando em Portugal, além do mais, em momento de incerteza, é razoável que queiramos estar próximos dos nossos. Penso assim, mas não é o meu caso, optei por ficar. Vivo sozinha em Luanda, e numa situação mais delicada confinar-me-ei em casa”.

Já Patrícia Veloso, acabadinha de aterrar no aeroporto Humberto Delgado, está feliz por ter regressado a terras lusas.

“ Sei que aqui as medidas estão a ser duras, mas não podia manter-me longe dos meus filhos nesta fase. Estava em Angola em comissão de serviço há dois meses e não prorroguei o visto. Não sei se haverá condições para o meu regresso, estava a gostar da experiência, espero voltar mas só se já não houver perigo de contaminação”, diz.
O que Patrícia não quer, tal como muitos, é regressar e serem encaminhados para a Barra do kwanza onde está instalado um espaço para verificação de sintomas e correr o risco de ficar retida.

Confidencia-nos ainda que já se vê “nas ruas da capital pessoas com máscaras, mas muito poucas, entre angolanos e chineses. A corrida ao álcool também já começou, mas de resto o país continua a fazer a sua vida normal”.
Os portugueses que optaram por ficar em Angola acreditam que o país se vai manter com poucos casos de Covid-19 e não se insurgem pelo fecho de fronteiras.

Pelo contrário, “sabemos que é uma forma de travar o vírus, mas ficaremos preocupados se tivermos de viajar de urgência por qualquer motivo de força maior”, revela António.

Entretanto vão-se mantendo em dia através de um grupo de whatsapp de expatriados onde correm as mais recentes informações, desde oficiais a rumores.

Foi por essa via que souberam que há um suspeito numa unidade hoteleira de Luanda, diz-se, um português. Até à hora de fecho deste artigo, o governo angolano ainda não tinha confirmado nenhum caso. Será que Angola volta a ser o eldorado dos portugueses, apesar da quebra do petróleo, mas com ar livre de coronavírus? O tempo o dirá. (AS)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here