Presidência da República recebe hoje imigrantes por causa de alegados “esquemas de agendamento” do SEF

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Manuel Matola

A Presidência da República recebe hoje Juliet Cristino, líder da Comissão dos Imigrantes em Portugal para a Liberação da Residência, na sequência de um pedido feito pela principal organizadora da manifestação do dia 11 de julho ao chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, no sentido de ajudar a resolver os atrasos nos agendamentos e travar os alegados “esquemas de corrupção” no SEF.

Numa carta enviada há dias às autoridades portuguesas, os membros da Comissão dos Imigrantes em Portugal para a Liberação da Residência, pediram reunião com “extrema urgência” para falar diretamente com o governo por causa do “sistema de agendamento que não funciona” e lançaram um novo grito de socorro ao primeiro-ministro e ao ministro da Administração Interna: “Precisamos ser ouvidos”.

Hoje, a mentora do movimento de protesto Juliet Cristino, e Sónia Gomes, membro da Comissão, serão recebidas pelos consultores do Presidente português para os assuntos de segurança nacional, sociais e jurídicos que deverão inteirar-se dos problemas que estão a criar revolta no seio dos imigrantes e que forçou os estrangeiros em Portugal a manifestarem nas ruas de Lisboa e do Porto no passado dia 11 de julho.

Da parte do primeiro-ministro, António Costa, e do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, não há até aqui nenhuma resposta sobre uma eventual reunião.

“Enviamos vários e-mails pedindo uma reunião. No entanto até a data de hoje ninguém entrou em contato connosco para agendar a reunião. Precisamos que analisem as nossas reivindicações com urgência, isso que estamos passando chega ser desumano. Ajudamos o país, e precisamos também que nos ajudem”, consideram.

Na terceira carta de solicitação de um encontro com António Costa e o ministro Eduardo Cabrita, a Comissão dos Imigrantes em Portugal para a Liberação da Residência de todos os distritos do Norte a Sul de Portugal diz: “estamos desesperados, longe dos nossos familiares” e a ter “uma vida miserável por causa da falta da autorização de residência”.

E lançam vários apelos ao governo português: “Pedimos, por favor e com extrema urgência, uma reunião para resolver as nossas reivindicações”, escrevem os imigrantes.

Traçando o verdadeiro quadro da situação dos imigrantes em Portugal, lembram o impacto deste silêncio e da falta de uma solução.

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“Sem autorização de residência não conseguimos fazer nada no país, para tudo precisa da autorização de residência, precisamos de uma reunião urgente para tratar das reivindicações dos imigrantes. Temos ideias para ajudar melhorar o sistema das autorizações de residência. Precisamos ser ouvidos. O que estamos vivendo neste país, é muito humilhante e desesperador”, lê-se na carta a que o jornal É@GORA teve acesso.

Os alegados “esquemas de corrupção” que se assiste no processo de agendamento no SEF envolvem até advogados e pessoas singulares, que cobram valores que podem chegar aos 300 euros apenas para fazer uma marcação online de vagas que muitas vezes esgotam em menos de cinco minutos.

Em entrevista recente ao jornal É@GORA, Juliet Cristino falou do seu próprio caso e do de vários imigrantes que estão a passar “por uma situação muito difícil”, o que causa agonia.

“São vários tipos de pessoas e tem advogados também que se envolvem nesses processos. Há um que é “Morar Legal em Portugal” que me cobrou 300 euros para fazer agendamento, uma coisa que teria de ser de graça. Dizem que temos que fazer o agendamento pelo sistema. Eu entro aqui no sistema mas em todas as unidades não têm vagas. Mas como se essas pessoas conseguem agendar se nós pagarmos?”, questionou Juliet Cristino em entrevista ao jornal É@GORA.

Segundo os imigrantes, a falta da autorização de residência causa “uma vida miserável”, pois há “pessoas à espera dois, ou três anos” por este documento que permite residir em Portugal.

A população imigrante residente em Portugal é de 692.095 pertencentes a mais de 20 nacionalidades, segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteira (SEF).

Na missiva, os imigrantes assinalam que, “mesmo sem direitos”, a comunidade migrante tem um papel preponderante para o desenvolvimento do país, pois faz parte da força de trabalho que é “fundamental para Portugal”.

“Contribuímos com o país, ajudamos o país a crescer com nosso trabalho, não queremos os trabalhos dos portugueses, somos as pessoas que sujeita aos piores trabalhos, esses que os portugueses não querem. Declaramos IRS, pagamos segurança social, e até o momento estamos desprezados pelo estado, temos deveres e nada de direitos”, referem na missiva enviada ao chefe do governo português, António Costa, e a Eduardo Cabrita, ministro com a pasta da Administração Interna que tutela o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). (MM)

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