Projeto convida cientistas lusófonos e na diáspora a escreverem «Cartas com Ciência» aos miúdos

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Manuel Matola

Cientistas e investigadores lusófonos de qualquer área e fase da carreira, incluindo os que residem na diáspora, podem a partir de agora inscrever-se no programa «Cartas com Ciência» de troca de cartas com estudantes dos países de língua portuguesa, para incentivar os menores a pautarem pela carreira científica.

O processo de envio de cartas, que decorre pela primeira vez na CPLP, arrancou este mês de setembro e vai até junho do próximo ano.

O projeto de troca de cartas entre cientistas e crianças nos países de língua oficial portuguesa visa promover “um diálogo entre estes intervenientes”, tem o propósito de “mitigar barreiras e preconceitos relacionados com o ensino superior e carreiras científicas” e contribuir para que “os cientistas interajam mais com a sociedade e aumentem o impacto da sua investigação”.

Em nota, a que o jornal E@GORA teve acesso, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) anuncia que atribuiu “apoio institucional ao projeto «Cartas com Ciência», uma spin-off da «Native Scientist», inspirada no projeto americano «Letters to a Pre-Scientist», inaugurada no dia 5 de maio de 2020″, Dia da Lingua Portuguesa.

Os cientistas “podem ser de qualquer área e fase da carreira, desde que atualmente façam ou tenham feito no passado pesquisa ou investigação”, refere o comunicado da CPLP sobre o primeiro programa de troca de cartas com estudantes que pretende “inspirar crianças nos países de língua portuguesa a considerar o ensino superior e carreiras científicas”.

Segundo os organizadores do evento, “a participação no programa envolve a realização de uma formação online em agosto (estimada em ~3h e que poderá ser completada ao seu ritmo), que inclui vídeos com informações mais detalhadas sobre o programa e com conselhos e dicas sobre como escrever as suas cartas, e a escrita e envio de 4 cartas entre setembro 2020 e junho 2021 (em outubro, dezembro, fevereiro e abril, aproximadamente).

Na página do projeto, a equipa que promove o português como língua de conhecimento e de oportunidades, de solidariedade e de cooperação entre os países de língua oficial portuguesa considera que os cientistas têm geralmente pouco à-vontade para explicar o seu trabalho a não-especialistas.

Sendo que a maioria dos países de língua portuguesa estão classificados como de rendimento baixo ou médio-baixo, e muitos têm taxas de alfabetização de 55-70% (UNESCO), o projeto «Cartas com Ciência» trabalha com professores e alunos nos países lusófonos “para promover a literacia científica e linguística, bem como as aspirações educativas e profissionais, através de intercâmbios individuais e de longo prazo entre alunos e cientistas”.

A língua portuguesa é falada por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, no entanto, para muitas crianças nos países lusófonos, o português não é a sua língua materna, apesar de ser a língua da escola.

“A sociedade em geral tem um baixo capital científico, e preconceitos em relação à ciência e aos cientistas, bem como aos países em desenvolvimento”, pelo que “queremos ajudar a quebrar estereótipos através dos nossos canais de comunicação, e a melhorar a forma como as sociedades encaram a educação, a ciência e a diversidade”, afirmam os mentores da iniciativa.

Os promotores referem que para escolher o melhor par aluno-cientista, perguntaram aos alunos quais são os temas científicos que mais lhes interessam e quais são os seus hobbies.

“Para garantir que cada aluno tem as melhores hipóteses de ser emparelhado de acordo com os seus interesses, recrutamos mais cientistas do que alunos no nosso programa. Por este motivo, alguns cientistas inscritos poderão ficar em lista de espera no início do ano letivo e ser emparelhados só mais tarde. De qualquer maneira, só serão elegíveis para o programa cientistas que tenham completado a formação durante agosto”.

“Se é cientista e gostava de desenvolver competências em divulgação científica e de ser um exemplo para uma criança de língua portuguesa”, este projeto é dirigido a si. (MM)

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