Raul Neto, o anfitrião virtual dos imigrantes brasileiros em Portugal

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Empresário Raul Neto, administrador do maior grupo virtual de Brasileiros em Portugal

Elisabeth Almeida

O brasileiro Raul Neto, nascido em Almenara, cidade no interior de Minas Gerais, imigrou para Portugal com um plano: ter uma vida com mais qualidade e oportunidades. Conseguiu.

Desde cedo se destacou no meio de relações públicas de discotecas como a Love Lisbon e outras. Fez amizade com celebridades brasileiras e também europeias e manteve intacta a intenção de ajudar outras pessoas. Tempos depois criou o Brasileiros em Portugal, grupo com mais de 335 mil inscritos somente no Facebook.

Além do grupo que gere na maior plataforma digital do mundo, também tem o perfil do Instagram, que já conta com 10 mil seguidores engajados e mais de dezenas de parceiros que usam as redes sociais para divulgação de sua empresa online.

“Brasileiros em Portugal é hoje o maior grupo do seguimento no Facebook e conta com advogados para tirar dúvidas; divulgamos vagas de trabalho; ações sociais; arrendamentos de quarto e apartamentos; agências de viagem e tudo o que as pessoas que querem imigrar precisam saber. O nosso diferencial é exatamente este: o grupo tem a função de ajudar”, diz Raul Neto, administrador do Brasileiros em Portugal, em entrevista exclusiva ao Jornal É@GORA.

Após criar a maior rede de apoio a brasileiros em Portugal, o notável imigrante tornou-se o maior neste seguimento.

Hoje, o administrador, digital influencer e empresário Raul Neto tem dois planos audaciosos para o grupo Brasileiros em Portugal.

Primeiro, “estou fazendo um engajamento sobre tudo que é envolvido aos brasileiros e, de momento, estamos unindo todos empreendedores brasileiros em Portugal para desenvolvermos melhorias em relação ao imigrante. Em segundo plano, (pretendemos abrir) o nosso canal Brasileiros em Portugal TV, um meio que irá ajudar a direcionar todo brasileiro em Portugal”, revela em primeira mão ao Jornal É@GORA.

De acordo com Raul Neto, o grupo tem como principal objetivo abraçar projetos voltados aos brasileiros, ajudando no cotidiano da maior comunidade estrangeira dos mais de 590 mil imigrantes que residem em Portugal.

“A nossa intenção é não apenas ensinar a ‘como chegar’ em Portugal e estar no dia-a-dia com o brasileiro, dando dicas, tirando dúvidas sobre deveres e direitos, servindo como uma rede de apoio de fato”, refere.

“O grupo é a voz mais alta do silêncio, ou seja, muitas pessoas não conseguem resolver um problema ou até mesmo mandar um recado porque não sabe dos seus direitos e, nisso, ela posta no Brasileiros em Portugal e se sente amparada por outros imigrantes e também por profissionais especializados”, frisa Raul Neto, um destacado influenciador digital e empresário.

Assim como Raul Neto, muitos brasileiros vão para Portugal em busca de uma vida com mais segurança, qualidade de vida e escolhem o país pela facilidade com o idioma ou por ser conhecido como ‘a aporta de entrada’ para outros países da comunidade europeia.

Ainda em 2017 a Revista Veja publicou uma matéria onde apontava Portugal como o novo sonho da classe média brasileira.

Sendo um país “com segurança, bons serviços públicos e economia em alta, Portugal atrai mais imigrantes brasileiros com boa renda — de universitários a aposentados” descreve o texto.

Ainda segundo a matéria, escrita por Raquel Carneiro, enquanto “representantes das classes média ou alta, esses jovens são a cara da nova onda migratória brasileira rumo ao país ibérico. Há espaço para muitos perfis: aposentados, estudantes, investidores de pequena ou de grande monta. Morar em Portugal se tornou um sonho para muitos paulistas, cariocas, pernambucanos, que trabalham em diversas ocupações, da Netflix ao Uber” diz o texto que ainda compara o ‘sonho europeu’ com a onda de brasileiros em Miami anos atrás.

De 2017 para cá o número de imigrantes aumentou drasticamente, tendo em 2020 um aumento de 43% de brasileiros em Portugal, comparado com o ano de 2019.

Parte dos repatriados brasileiros. FOTO: ABP
É exatamente para estas pessoas que o grupo Brasileiros em Portugal é voltado.

“Eu imigrei para Portugal em 2012, mas as coisas não correram como eu gostaria, já que eu queria ter feito mais pelos meus compatriotas. Ao chegar no Brasil fixei a ideia de que, mesmo a distância, ajudaria naquilo que fosse preciso e assim o grupo foi ganhando cada vez mais seguidores e profissionais como apoiadores”, explicou Raul Neto, que tem residência e negócios em Portugal, mas atualmente está no Brasil.

Questionado sobre como é que descreve a situação dos imigrantes brasileiros em Portugal nesta fase da pandemia de Covid-19, Raul Neto é enfático ao afirmar que muitos já estão para voltar a Portugal.

“De acordo com as atualizações que eu tenho, muitos conseguiram sair daquele desespero e chegaram ao Brasil e já voltaram ou estão com planos para retornar o quanto antes à Europa”, até porque “Portugal agora está em fase de desconfinamento e as coisas estão voltando a funcionar”, quando “no Brasil o isolamento ainda existe, a crise económica já se está agravando e o número de contaminados não para de crescer”, diz, garantindo:

“A maior parte das pessoas que eu conheço e que retornaram ao Brasil ainda no mês de março já estão se dirigindo ao Brasileiros em Portugal para tirar dúvidas de como retornar a Europa, valores de quartos e apartamentos… tudo! Já os que lá estão, estão vivendo com o sustento mínimo de vida. É importante dizer que as coisas não são mais como era. Os músicos, por exemplo, se eles ganhavam um cachê base de 70 euros, agora estão a ganhar por volta dos 35 euros. Ainda assim o que chega para mim por parte dos membros é que Portugal está vivendo e no Brasil nem se vive”, afirmou Raul Neto em conversa com o Jornal É@GORA.

Apesar de alguns membros do grupo apresentarem reclamações sobre Portugal, Raul Neto é otimista relativamente à importante mão de obra brasileira nas terras lusas.

“A comunidade brasileira que restou em Portugal, que ainda é a maior comunidade imigrante no país, ao que chega até mim, está satisfeita, pois houve um deficit de mão de obra com a vinda dos brasileiros por conta da pandemia e agora tem uma demanda muito grande de trabalho lá. Claro que também está batendo a concorrência com aquelas grandes empresas que ainda estão fechadas. Ainda assim o desenvolvimento do país está melhorando”, explica o administrador do grupo Brasileiros em Portugal.

Raul Neto comentou o processo de pedido de repatriamento de pelo menos 500 brasileiros e tem uma opinião formada sobre os efeitos da pandemia nos imigrantes que residem no território português: as queixas sempre vão existir e não há um levantamento específico sobre o número de brasileiros a passar dificuldades em Portugal, assegura.

É que, diz, o governo “não tem uma listagem oficial, mas ainda tem muita gente a passar necessidades em Portugal e são muitas pessoas”.

Os debates virtuais sobre a situação do Brasil têm sido ideológicos
Aliás, ainda sobre o repatriamento que foi solicitado ao governo refere: “Muitos já estão querendo voltar para Portugal e uma grande parcela dos repatriados eram turistas e queriam apenas voltar ao Brasil, já que suas passagens foram canceladas”, assegura.

Para Raul Neto, mesmo que um governo responda a quem precise sempre haverá aquele que não necessita e ainda assim vai estar usufruindo daquele auxílio de forma inapropriada, opina o imigrante.

E exemplifica: “Isso aconteceu com o repatriamento em Portugal, acontece com o auxílio emergencial aqui no Brasil, onde pessoas de classe média estão recebendo também. É nisso em que acabamos ficando muito famosos pelo ‘jeitinho brasileiro’ de resolver as coisas”, frisa Raul Neto.

Segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgados pelo portal UOL, milhões de jovens da classe média alta brasileira estão recebendo o auxílio emergencial que varia de R$600 a R$1200 por três meses aos trabalhadores autónomos. Uma ação do atual governo para ajudar as milhares de famílias afetadas pela pandemia do covid-19.

“As denúncias que não param de chegar ao meu gabinete dão conta de que milhares ou milhões de filhos de classe média alta que são dependentes de pessoas que declaram seu imposto de renda estão recebendo o auxílio emergencial por falta desse cruzamento elementar”, escreveu o ministro do TCU, Bruno Dantas em relatório.

Numa altura em que Portugal contabiliza 1.549 mortes relacionadas com a Covid-19 e 40.415 casos confirmados desde o início da pandemia, Raul Neto faz uma leitura de todo o processo que ditou o retorno dos imigrantes, destacando, especialmente, à atuação do governo brasileiro.

“Eu penso que as queixas sempre vão existir (e muitas com razão), mas neste caso o que as pessoas têm que pensar é que não foi culpa de ninguém. A situação atingiu vários países e pegou vários seguimentos de trabalho, inclusive o meu, mas é algo normal que isso aconteça em meio a uma pandemia”, considera.

Em conversa com o jornal É@GORA, Raul Neto comentou a violência verbal que se assiste nas redes sociais entre a comunidade brasileira que decide migrar e a que não vê razões de abandonar o país devido às dificuldades de vária ordem.

“Inclusive na situação de hoje, politicamente falando, o que nós brasileiros vivemos é que nós não podemos nem falar o que achamos certo ou errado e já somos automaticamente rotulados como ‘Esquerda’ ou ‘Direita’. Por isso quando entra no meio da política, nem mesmo nós do Brasileiros em Portugal gostamos de entrar na conversa. Mas claro que não estamos vendados para a realidade, afinal, é o governo do nosso país”, relata Raul Neto.

E sobre os conselhos que daria a quem está prestes a migrar ou com planos futuros de viver em Portugal, Raul Neto aponta a necessidade de seguir à risca uma palavra que é primordial: planejamento.

“Recomendamos que hoje você faça mesmo a análise certa de tudo o que é preciso para ir para Portugal sobre custo de vida. O que vemos hoje são pessoas muito despreparadas imigrando. Então, procure informações corretas sobre custo de vida; aluguel de apartamentos que você viu através de fotos e faça negócios direcionados. Já você que vai como turista, averigúe a regra e tudo o que o turista precisa para entrar legalmente em Portugal. E quem pretende ir como estudante, faça o mesmo e busque em sites oficiais para não cair em golpes”, aconselha. (EA)

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