Saiba que doenças podem estar na sua cozinha

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Dra. Michele Miranda de Almeida
Consultora Nutricional

 Afinal, o que são Doenças transmitidas por alimentos (DTA)?

São doenças causadas pela ingestão de alimentos e/ou água contaminados. Mundialmente existem mais de 250 tipos de DTA, sendo na sua grande maioria infecções causadas por bactérias e suas toxinas, vírus e outros parasitas.  
Considera-se surto de DTA quando duas ou mais pessoas apresentam doença ou sintomas semelhantes após ingerirem alimentos e/ou água da mesma origem, habitualmente em um mesmo local. Para algumas doenças de alta gravidade, apenas um caso já é considerado surto, temos como exemplo “Botulismo e Cólera”.

Em todo o mundo as doenças transmitidas por alimentos (DTA) são uma importante causa de morbidade e mortalidade. Principalmente com as várias mudanças globais, envolvendo o crescimento da população, da pobreza, exportação de alimentos e rações animais, que influenciam de forma extrema na segurança alimentar internacional.

Cabe ressaltar que se encontram ainda as intoxicações causadas por toxinas naturais, se tem como exemplos cogumelos venenosos, toxinas de algas e peixes ou por produtos químicos nocivos que contaminaram o alimento – exemplos – chumbo e agrotóxicos.

É de extrema importância buscar uma ajuda médica imediata, caso ocorra a contaminação, pois algumas doenças transmitidas por alimentos são capazes, se não tratadas adequadamente, de levar à morte.

O acontecimento de DTA concerne com diversos fatores, como – consumo de alimentos contaminados, condições de saneamento e qualidade da água para consumo humano inadequados; práticas erradas de higiene pessoal.
As Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) – são consideradas uma grande preocupação de saúde pública global, conforme, “Organização Mundial da Saúde – (OMS) ”. Além do mais, ressalta que podem ser fatais, especialmente, em crianças menores de 5 anos.

Em 20 de abril de 2016, o National IHR Liaison Center dos Estados Unidos da América (EUA) notificou a OPAS / OMS sobre a ocorrência de quatro surtos de infecções por Salmonella humana relacionados à exposição a pequenas tartarugas. Na altura, em 22 estados, 124 casos de infecção pelas cepas de Salmonella implicadas nos surtos foram relatados. Destes, 33% foram hospitalizados, mas não houve mortes. Mas 41% dos casos tinham menos de 5 anos.
Os resultados das investigações epidemiológicas, laboratoriais e ambientais indicam que a origem dos surtos mencionados é a exposição às tartarugas ou ao ambiente em que vivem (por exemplo, água). Embora a venda e distribuição de pequenas tartarugas sejam proibidas nos Estados Unidos desde 1975.

O Centers for Disease Control and Prevention (CDC), centro de vigilância de doenças dos Estados Unidos, estima que a cada ano cerca de 1 em cada 6 americanos (ou 48 milhões de pessoas) fica doente, 128 mil são hospitalizadas e 3.000 morrem de doenças transmitidas por alimentos. 

No Brasil, a vigilância epidemiológica das DTA (VE-DTA) monitora os surtos de DTA e os casos das doenças definidas em legislação específica. De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), são notificados em média, por ano, 700 surtos de DTA, com envolvimento de 13 mil doentes e 10 óbitos.

Em Portugal, a listeriose é uma doença de notificação obrigatória desde 2014, através do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE). Requer a aplicação de inquérito epidemiológico com o objetivo de identificar a fonte da infeção e desencadear rapidamente medidas adequadas, dados obtidos segundo a “Direção Geral da Saúde – (DGS)”.

Sintomas

As doenças transmitidas por alimentos (DTA) podem ter várias causas, pois não há um quadro clínico específico. No entanto, os sintomas mais comuns são:
Náuseas;
Vómitos;
Dores abdominais;
Diarreia;
Falta de apetite;
Febre.

Os sinais/sintomas dependem de cada tipo de infecção e muitos microorganismos produzem os mesmos sintomas, desta forma, torna-se o diagnóstico clínico um pouco difícil.  Podem ocorrer também afecções extra-intestinais em diferentes órgãos e sistemas como no fígado, terminações nervosas periféricas, má formação congénita, dentre outros.

O período de incubação, ou seja, tempo que o organismo leva para apresentar os primeiros sinais após infecção, varia conforme o agente etiológico.

Como evitar?

A prevenção das doenças transmitidas por alimentos consiste no consumo de água e alimentos que atendam aos padrões de qualidade das legislações vigentes, higiene pessoal/alimentar e condições adequadas de saneamento.  

As recomendações que seguem são de aplicação geral:

Lave as mãos regularmente:
Selecione alimentos frescos com boa aparência e, antes do consumo, os mesmos devem ser lavados e desinfetados;
Para desinfecção de hortifruti (frutas, legumes e verduras) deve-se imergir os alimentos em uma solução preparada com 10 ml (1 colher de sopa) de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água tratada;
Os ovos devem ser lavados em água potável, um por vez, somente antes do uso (nunca antes de estocar);
Lave e desinfete todas as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos;
Assegure-se de que os alimentos cozidos estejam mantidos sob a temperatura adequada antes do consumo (refrigerados ou aquecidos);
Alimentos prontos para o consumo devem ser protegidos de novas contaminações e mantidos sob rigoroso controlo de tempo e temperatura:
Alimentos perecíveis só podem permanecer em temperatura ambiente pelo tempo mínimo necessário para sua preparação. Evite consumir alimentos que ficaram muito tempo sob a temperatura ambiente;

Reaqueça bem os alimentos que tenham sido congelados ou refrigerados antes de consumi-los;
Compre alimentos seguros, verificando prazo de validade, acondicionamento e suas condições físicas (aparência, consistência, odor). Não compre alimentos sem etiqueta que identifique o produtor;
Os pescados e mariscos de certas espécies, e em alguns países em particular, podem estar contaminados com toxinas que permanecem activas, apesar de uma boa cocção. Solicite orientação aos moradores e produtores locais;
Consuma leite pasteurizado, esterilizado (UHT) ou fervido. Não beba leite nem seus derivados crus;
Sorvetes de procedência duvidosa são de risco.
Evite o consumo de alimentos crus, mal cozidos/assados (carnes e derivados);
Evite preparações culinárias que contêm ovos crus;
Evite o contacto entre alimentos crus e alimentos prontos para o consumo para impedir contaminação cruzada;
Evite ingerir alimentos comercializados em estabelecimentos não inspecionados.
Mantenha os alimentos fora do alcance de insetos, roedores e outros animais;
Evite se banhar em rios, lagos, mares e piscinas cuja água seja/esteja contaminada;
Beba água e/ou gelo apenas de procedência conhecida;
Quando estiver em dúvida quanto à potabilidade da água de beber, recomenda-se fervê-la ou tratá-la com solução de hipoclorito de sódio a 2,5 %. Coloque 2 gotas em 1 litro de água e aguarde por 30 minutos antes de consumir. Cuidado para não utilizar soluções comerciais com hipoclorito de sódio a 2,5% que também tenham alvejantes na composição.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) defende a importância da segurança alimentar como um elemento essencial para garantir o acesso a dietas seguras e nutritivas. A OMS formula políticas e recomendações que cobrem toda a cadeia alimentar, da produção ao consumo, usando diferentes tipos de experiência de vários setores.

Se esforça para fortalecer os sistemas de segurança alimentar em um mundo cada vez mais globalizado. Estabelecer padrões internacionais para segurança alimentar, melhorar a vigilância de doenças, educação do consumidor e treinar aqueles que manipulam alimentos para fazê-lo com segurança estão entre as “intervenções mais críticas para prevenir as Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA)”.

Data da última revisão: 09 de Setembro de 2020
Fontes consultadas:

Website oficial da Organização Mundial da Saúde – OMS
Website oficial da Direção Geral da Saúde – DGS
Website oficial do Ministério da Saúde – MS
https://www.who.int/csr/don/28-april-2016-salmonellosis-usa/es/
https://www.who.int/es/news-room/fact-sheets/detail/salmonella-(non-typhoidal)
https://www.saude.gov.br/
https://www.dgs.pt/saude-publica1/listeriose.aspx

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