SEF apreende provas na casa de funcionário da embaixada portuguesa na Guiné-Bissau acusado de tráfico humano

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Polícia migratória em Portugal. SEF ©

A polícia migratória portuguesa SEF e as autoridades guineenses apreenderam hoje provas informática e documental na residência de um funcionário da secção consular da Embaixada de Portugal em Bissau, acusado de tráfico humano, após montar um esquema no qual se terá apoderado de 209 vinhetas de visto em branco que alegadamente vendeu a sete cidadãos iranianos que entraram no Espaço Schengen via Alemanha.

Em nota divulgada, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) diz que, em colaboração com as autoridades da Guiné-Bissau, deram hoje cumprimento a um mandado de busca domiciliária em território guineense, no âmbito da investigação “Visa Branco” desencadeada em dezembro do ano passado e que culminou com a detenção do funcionário
da secção consular da Embaixada de Portugal em Bissau, atualmente em prisão preventiva.

“A estreita colaboração das autoridades portuguesas e guineenses permitiu a apreensão de prova informática e documental da prática de diversos crimes de corrupção, falsificação de documentos e de auxilio à imigração ilegal, entre outos, consolidando a prova reunida nos autos e solidificando a cooperação judiciaria internacional entre os dois países”, refere SEF.

As autoridades migratórias de Portugal referem que a investigação, desencadeada com a estreita colaboração do Ministério dos Negócios Estrangeiros, “teve origem numa informação proveniente das autoridades alemãs”.

A mesma dava conta de sete cidadãos iranianos detetados no aeroporto de Frankfurt, titulares de vistos portugueses apostos nos passaportes e relativamente aos quais existiam suspeitas de terem sido obtidos fraudulentamente.

No decurso do inquérito foi possível identificar o presumível responsável pelo processamento de todos aqueles vistos, frisa o SEF

“O suspeito, agora detido em território nacional, ter-se-á arrogado da sua qualidade de funcionário consular para apoderar-se de vinhetas de visto em branco que, alegadamente, vendia a outros indivíduos que pretendiam entrar em Espaço Schengen”, lê-se no comunicado.

Segundo a mesma mota, “os vistos, genuínos, depois de comercializados, terão sido ilegalmente preenchidos, permitindo a entrada de indivíduos de nacionalidade iraniana na Alemanha. Foi, ainda, possível identificar 209 vinhetas de visto processadas desde 2012, que desapareceram, e sobre as quais subsistem fortes indícios de que, também, possam ter sido vendidas”.

O detido terá montado um esquema no qual simulava informaticamente a emissão de vinhetas referentes a pedidos de vistos de cidadãos guineenses, anulando-as logo de seguida, ainda em branco, conta o SEF.

“Emitia, então, novas vinhetas a favor dos requerentes locais e apoderava-se das vinhetas anuladas, ainda por preencher, que depois comercializava a troco de avultadas quantias monetárias”, assegura a polícia migratória portuguesa. (MM)

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