SEF faz última detenção antes da extinção: um casal que falsificava documentos

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Manuel Matola

O SEF anunciou a detenção de um casal de estrangeiros por crimes de auxílio à imigração ilegal e por falsificar documentos usando o seu próprio hostel onde viviam 15 imigrantes “em condições de salubridade muito precárias”.

A dupla de estrangeiros foi detida em Almada, na Margem Sul do Tejo, de onde emitia comprovativos de reserva a vários cidadãos estrangeiros que pretendiam entrar ilegalmente no país.

Em nota hoje divulgada, o Serviço de Estrangeiros e Fronteira (SEF) conta como procedeu a operação até constituir arguido o casal de estrangeiros.

Tudo decorreu no âmbito de uma operação conjunta com a Polícia Judiciária, naquele que pode ser o último ato do género da instituição que controla a entrada e saída dos cidadãos migrantes, antes da sua extinção oficial no próximo domingo.

Segundo o SEF, “os suspeitos exploravam um hostel, situado em Almada, que funcionava como plataforma de facilitação de imigração ilegal para Portugal. Para isso, emitiam comprovativos de reserva a cidadãos estrangeiros que pretendiam entrar ilegalmente no país, com o propósito único de servir de comprovativo de alojamento para efeitos de passagem de fronteira”.

No comunicado a que o jornal É@GORA teve acesso, o SEF dá mais detalhes desta operação que apelidou de “Rota Fina”.

Os donos do hostel, cujo nome não é indicado na nota, “simulavam, também, contratos de trabalho ou de prestação de serviços, através de empresas das quais são os sócios-gerentes (gerem uma frota automóvel na plataforma eletrónica UBER, na qual empregam vários cidadãos estrangeiros em situação ilegal)”.

E mais: “Asseguravam, ainda, a inscrição de cidadãos estrangeiros na Segurança Social e na Autoridade Tributária a troco de elevadas quantias, num esquema de solicitadoria ilícita”.

As autoridades migratórias portuguesas destacaram 23 inspetores para levar a cabo a referida operação na qual foi apreendida diversa documentação e material informático relacionado com a atividade ilícita dos suspeitos.

Os agentes da Polícia Judiciária e os inspetores dos serviços migratórios fizeram-se ao local para cumprir “diversos mandados” de busca domiciliária e em viaturas, num inquérito que investiga os crimes de auxílio à imigração ilegal, angariação de mão de obra ilegal, falsidade informática e falsificação de documentos desse casal de estrangeiros.

Agora, o caso está nas mãos da justiça portuguesa, garante o SEF, assinalando que “no hostel explorado pelos arguidos viviam cerca de 15 cidadãos estrangeiros em condições de salubridade muito precárias”.

FOTO: SEF ©
É o início do fim de uma instituição onde aconteceu de tudo um pouco durante 45 anos de funcionamento e que, a partir de domingo, será substituída pela nova Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), cujos estatutos vão ser publicados “nos próximos dias”, de acordo com garantias dadas pela ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes.

Até o próximo “dia 29 haverá novidades”, garantiu a ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares.

“Aquilo para que estamos a trabalhar é para que a AIMA possa responder aos desafios dos que aqui chegam”, salientou a ministra, segundo a qual “é de dignidade” que se está a falar, é de “bem tratar as pessoas que aqui estão a chegar e as que já cá residem”.
(MM)

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