SEF: Inspetores suspeitos de matar ucraniano, associação ucraniana fala em ataque cardíaco

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SEF impediu a entrada de ucraniano em Portugal ©
Manuel Matola

Inspetores do SEF são suspeitos de terem torturado e assassinado um cidadão ucraniano, que desembarcou no aeroporto de Lisboa a 11 de março, noticiou a TVI. Mas o presidente da Associação Ucraniana em Portugal, Pavlo Sadokha, disse ao jornal É@GORA que o homem de 40 anos terá sido vítima de ataque cardíaco.

Os inspetores já estão detidos, segundo a estação televisiva.

No principal jornal deste domingo, a TVI contou que um cidadão de nacionalidade ucraniano aterrou no aeroporto Humberto Delgado, na capital portuguesa, num voo proveniente da Turquia com intenção de entrar em Lisboa, mas foi barrado na alfândega pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteira (SEF), que exigiu que o passageiro regressasse à Turquia no voo seguinte.

De acordo com a estação televisiva, a decisão do SEF terá desagradado o homem que, entretanto, reagiu mal à interdição das autoridades migratórias portuguesas. Nessa altercação, foi levado para uma sala de assistência médica, no aeroporto, onde terá sido torturado e eventualmente assassinado por inspetores do SEF.

Contactado pelo jornal É@GORA, Pavlo Sadokha disse que a notícia da morte do cidadão “surpreendeu toda a comunidade” ucraniana em Portugal, incluindo o presidente da agremiação que, na semana passada, recebeu telefonema de “um amigo deste homem” que morreu a pedir auxílio para transladar o corpo para Ucrânia.

Apesar de o passageiro ter chegado a Portugal no passado dia 11 de março, “não tivemos nenhuma notícia até semana passada. Telefonou um amigo deste homem. Ele tinha 40 anos e tem dois filhos na Ucrânia. Ele veio da Turquia para Portugal com visto normal, porque nós temos entrada livre entre Ucrânia e União Europeia até 90 dias e foi recusado à entrada no território nacional de Portugal não sei porquê. Não tenho ainda detalhes. Só que na semana passada telefonou-me um amigo dele que me disse que realmente o amigo morreu no aeroporto. Mas ele disse que era por causa de ataque cardíaco”, disse Pavlo Sadokha.

O presidente da Associação Ucraniana em Portugal, a quarta comunidade estrangeira mais representativa no território português, admite que “é capaz” de o amigo da vítima não ter tido “informação certa” sobre os detalhes da morte.

“Perguntou-me como é que nós podemos organizar o transporte do corpo para Ucrânia. Eu disse que antes que começar isso (o processo) temos que ter uma autorização para levar o corpo para o Instituto de Medicinal Legal. Eu pedi para ele me telefonar quando tivesse esses documentos, pois só quando tivéssemos essa autorização é que nós poderíamos juntar dinheiro na comunidade para ajudar a transportar o corpo. E nunca mais tive o telefonema do tal amigo e hoje ouvi essa notícia, que surpreendeu toda a comunidade”, afirmou Pavlo Sadokha, acrescentando:

Desde lá “não tenho mais nenhuma informação. Amanhã (segunda-feira) vou tentar saber mais coisas (pois) vou telefonar ao nosso cônsul e às autoridades para saber mais” detalhes do caso da morte do passageiro ucraniano que está a ser investigada pela Polícia Judiciária, concluiu.

O jornal É@GORA contactou o SEF, que entretanto ainda não reagiu. (MM)

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