“Tellas”, a nova “Netflix” de imigrantes angolanos, estreia na Web Summit

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Manuel Matola

A startup “Tellas”, uma plataforma digital que tem a mesma base da Netflix, e criada por jovens angolanos, alguns dos quais imigrantes em Portugal, vai estrear-se na edição da Web Summit deste ano – que arranca esta quarta-feira num formato totalmente digital.

A ideia da “Tellas” é “mostrar o valor que África tem a nível desta plataforma de streaming”, disse ao jornal É@GORA Sílvio Nascimento, presidente da nova estrutura virtual que é quase a réplica da mundialmente conhecida Netflix, a plataforma que também providencia filmes e séries de televisão via ´streaming`, a partir do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos da América.

“O que nós mais queremos é atrair produtores de conteúdo audiovisual, cinema e podem ser também de televisão”, explica Sílvio Nascimento sobre o projeto cujo conceito foi definido integralmente por jovens angolanos, incluindo engenheiros informáticos atualmente imigrantes, e com um propósito relativamente distinto da gigante norte-americana.

A plataforma nasceu da sinergia entre jovens nascidos em Angola, mas foi entre Estados Unidos da América e Portugal onde se deram os primeiros passos para a expansão deste projeto nascido com uma perspetiva global.

Em ano e meio de existência, a plataforma já conta com 8900 subscritores, sobretudo do espaço lusófono, mas está a ganhar terreno em outros mercados africanos.

“Estamos com 8900 subscritores e eles vão sendo crescente a semana”, garante Sílvio Nascimento que, a partir de Lisboa, dirige uma equipa fixa composta por sete pessoas espalhadas por diferentes países: Desde “engenheiros a programadores, marketeiros, contabilista e economista”, diz.

Quando há um ano o angolano Sidney Francisco, um dos mentores da “Tellas”, participou, em Lisboa, no primeiro encontro de influenciadores digitais africanos mais referenciados pelos usuários das redes sociais do espaço lusófono, não previa que hoje o projeto fosse partilhar o mesmo espaço virtual com os unicórnios que estarão presentes na Web Summit.

Mas, na altura em que se apresentou aos seus pares – para cada um saber quem são e como promover os seus trabalhos no seio da comunidade portuguesa -, Sidney Francisco assegurou: “Isso é o futuro. Acreditem”.

E o bilhete para o futuro foi agora oferecido pela empresa angolana UNITEL que, ao procurar as startups que andam de mãos dadas com a inovação no mercado lusófono, escolheu a “Tellas” para representar a empresa jovem africana que oferece um produto que seja inovador, mas com uma caraterística: gerar valor para o cliente.

Agora a “Tellas” vai contar com a sua primeira partipação na maior conferência tecnológica de empreendedorismo no mundo.

“A apresentação será feita pelo secretário-geral da ´Tellas`, Júlio Chilela, que é o engenheiro-criador da plataforma”, afirmou Sílvio Nascimentos sobre os dois dias em que o representante da equipa vai mostrar ao mundo como funciona o serviço de ´streaming` de vídeo no qual subscritores encontram uma variedade de conteúdos originais que são produzidos exclusivamente para a plataforma, desde filmes, séries, podcasts, curta-metragens, documentários e stand-up-comedy.

Na primeira exibição da “Tellas” em Lisboa, no ano passado, Sidney Francisco já havia explicado como funciona a plataforma.

“Nós pegamos a camada que quer evoluir, que são os youtubers e toda a gente que quer evoluir”, enquanto influenciadores digitais, “porque o nosso objetivo é rentabilizar o máximo a plataforma”, afirmou o empreendedor, assinalando, de seguida, a diferença, por exemplo, com o Youtube.

Remunerável

Segundo Sidney Francisco, a “Tellas”, enquanto plataforma, “não é grátis” para quem publica os conteúdos online.

“É remunerável, ou seja, qualquer um de vocês que vier ter connosco e o conteúdo for aceite, o conteúdo é remunerado. Os valores não dependerão das visualizações”, referiu.

“Nós começamos por nos focar ao mercado angolano. Já tive muitos portugueses a acederem a plataforma por causa de um vídeo de ´breakdance` e também uma proposta de um americano”, afirmou o gestor, que reconhece que o projeto tem vindo a crescer vertiginosamente.

“As pessoas não vão deixar de ver Netflix, é quase impossível, mas poderão começar a ver a nossa variedade de conteúdos. É o que tem acontecido”, assegura Sidney.

São vários os projetos de empreendedorismo digital que são desenvolvidos em Portugal por africanos e jovens afrodescendentes enquanto Youtubers, bloggers/Instagrammers, empresários com lojas e negócios online de vária ordem, seja ele a nível de blogs, vídeos.

Mas no dia em que o mundo começa a acompanhar um dos maiores eventos tecnológicos de todos os tempos e que junta empreendedores e inovadores do mundo, a Web Summit vai receber um dos projetos digitais de jovens africanos que já poderão estabelecer redes de contactos virtualmente com os maiores unicórnios, a partir de Lisboa. (MM)

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