Trabalho após Covid-19: Mudanças ou Jogar pelo Seguro?

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A ousadia impele a mudar. FOTO: MP ©

Adelaide Miranda
(Escritora, Engenheira, Empreendedora)
Fomos forçados a abrandar nos últimos meses. A nossa liberdade foi roubada por um vírus que não escolhe raça, classe social, género… Todos nós fomos privados da nossa liberdade e ganhamos tempo para analisar a nossa vida pré-covid. Infelizmente, muitos de nós chegamos à conclusão de que não vivemos a vida que gostaríamos de viver. Percebemos que estamos presos a um trabalho pelo qual não sentimos paixão, mas que permite pagar as contas e satisfazer as necessidades básicas.

O estado de emergência foi levantado e chegou a hora de regressar ao trabalho. Com máscaras, gel e novas medidas de distanciamento social, regressamos aos nossos postos de trabalho. Olhamos ao nosso redor e a sensação de não pertencermos àquele espaço continua, e provavelmente está muito mais forte. Aprendemos a valorizar mais a vida e percebemos que o tempo que temos é valioso e nunca volta atrás.

O que fazer com essa sensação? Devemos largar tudo, mudar de trabalho e seguir em frente, ou continuar no mesmo sítio, a fazer as mesmas coisas? A verdade é que a vida é curta para vivermos num estado de insatisfação constante. É importante, essencial e obrigatório fazermos tudo o que podemos para sermos felizes. Cada um de nós deve avaliar a situação pessoal e familiar e analisar as condições por forma a saber qual o próximo passo a tomar.

O ideal será sempre medir os prós e os contras e tomar a decisão de uma forma racional.

É óbvio que nem todos podemos largar tudo e recomeçar uma vida nova, sem um plano alternativo, mas todos nós podemos analisar, traçar uma estratégia e agir por forma a atingirmos os nossos objetivos. É óbvio que a análise da nossa condição financeira é crucial para tomarmos uma decisão. O orçamento familiar é uma ferramenta imprescindível para a análise das finanças familiares, tal como sugerido no Guia Prático da Educação Financeira. Tentar ao máximo a redução de gastos, principalmente com itens que, após Covid-19, tornaram-se desnecessários ou irrelevantes, poderá permitir o fundo de maneio necessário para uma mudança.

Se após a análise chegamos à conclusão de que o melhor é sairmos do trabalho e rumarmos a novos destinos, devemos fazê-lo por fases. A estratégia deve incluir o tempo que vai demorar a transição, os resultados desejados e a forma para os obtermos. Analisar periodicamente e garantir que estamos de consciência tranquila e preparados para as consequências, caso a estratégia não resulte, é crucial para garantir o bem-estar psicológico e emocional.

E se for o contrário? E, se decidirmos que não estamos em condições para mudar de trabalho? O importante, essencial e obrigatório será olharmos para o trabalho que fazemos com uma outra perspetiva. Devemos pensar no que podemos fazer para apreciarmos o que fazemos. Uma das formas será tornarmo-nos mais proativos, sugerir novos projetos, assumirmos mais responsabilidades… Ao assumirmos mais responsabilidades ganhamos amor à camisola e ganhamos a sensação de pertencer a uma causa. A realidade é que se decidimos que o melhor será ficar, então temos a obrigação de honrar a nossa decisão e não voltar para trás. O que está decidido está decidido. Viver a olhar para trás, viver numa insatisfação constante não faz bem à pessoa, à equipa nem ao negócio.

Gostaria de relembrar que voltamos ao trabalho, mas as medidas de proteção mantêm-se, ouve apenas um relaxamento que permite o regresso à atividade e ao término da “prisão domiciliária”. Assim sendo, se cumprirmos as regras iremos prevenir um novo surto e potencialmente a reabertura do estado de emergência. Devemos cuidar de nós, dos nossos e de todos. Só assim voltaremos à normalidade. (X)

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