UE quer uma “nova arquitetura” migratória face ao fluxo de refugiados

0
247
FOTO: Getty Images ©

Manuel Matola

A União Europeia admite adotar uma “nova arquitetura” migratória devido ao fluxo de entrada de estrangeiros na Europa, especialmente após a eclosão da crise no Afeganistão, o terceiro país com maior mais refugiadas no mundo.

Segundo a ONU, o Afeganistão tem 2,6 milhões de refugiados, 600 mil dos quais são deslocados internos, sendo que 80% são mulheres e crianças.

“Este é o momento político para passar de uma operação de combate a um incêndio para uma operação de nova arquitetura”, disse o vice-presidente da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, que este sábado esteve na fronteira que separa a Lituânia da Bielorrússia, onde aos jornalistas admitiu esperar que o fluxo de migrantes irregulares nas fronteiras orientais da União Europeia sirva como catalisador para se estabelecer regras comuns sobre a migração na Europa.

Em 2020, a crise pandémica interrompeu as negociações da Comissão Europeia que propôs implementar um novo pacto sobre migração e asilo de refugiados, documento que define regras internacionais para migração segura.

A Lituânia da Bielorrússia têm sido alvo de um grande número de entradas e tentativas de entrada na Europa por parte de migrantes irregulares. Nos últimos meses, o número de pessoas detetados na fronteira ultrapassou as 4.100 pessoas, contra as 81 pessoas registadas pelos serviços migratórios lituanos nos 12 meses do ano de 2020.

Falando aos jornalistas presentes no local, Schinas avisou: “A situação aqui apresenta uma mensagem para nós, União Europeia: está na altura de avançarmos para uma estrutura europeia previsível e abrangente relativamente à política de migração”.

Muito antes da crise que se assiste no Afeganistão, onde os talibãs tomaram o controlo de Cabul, capital daquele país da Ásia Meridional, a 15 de agosto, vários foram os cidadãos que se deslocaram interna e internacionalmente.

Na sexta-feira, as Nações Unidas anunciaram que no próximo dia 13 de setembro vão realizar uma conferência de alto-nível que visa angariar fundos para o Afeganistão, país que está “diante de uma catástrofe humanitária”, segundo Stéphane Dujarric, porta-voz do Secretário-Geral da ONU, António Guterres.

O Alto Comissariado para as Migrações (ACM) disse que Portugal tem possibilidade para receber 550 refugiados afegãos, numa altura em que está ainda a ser mapeada a resposta de rede dos parceiros às necessidades de acolhimento.

“Dispomos até ao momento da confirmação de disponibilidade de acolhimento de mais de 550 cidadãos, espalhados pelo país”, afirma o ACM em resposta escrita a pedidos de esclarecimento da agência Lusa.

O ACM assinala que até ao momento recebeu 31 respostas de organizações de acolhimento, “demonstrando a sua disponibilidade para apoiar, em áreas tão distintas como o acolhimento/alojamento, criação de postos de trabalho ou disponibilização de bens essenciais”.

A isto, o Alto Comissariado junta “manifestações de interesse de outras organizações da sociedade civil em dar o seu contributo para apoiar nesta emergência humanitária” que se vive no Afeganistão, sendo que até 20 de agosto um formulário público para cidadãos interessados em colaborar de alguma forma no processo registou 4.429 respostas.

“Este elevado número de respostas tem vindo a ser tratado e as primeiras pessoas já foram contactadas tendo em conta a sua disponibilidade de apoio e atuais necessidades. Em breve serão contactadas os cidadãos que disponibilizaram a sua segunda habitação como local de acolhimento”, frisa o ACM.

A ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, indicou na terça-feira que Portugal recebeu nesse mesmo dia 20 cidadãos afegãos que se juntaram aos 66 refugiados que já se encontram então em território nacional.

Acrescentou que o país tinha, na ocasião, capacidade para acolher mais de 400 pessoas refugiadas.

De acordo com o ACM os refugiados afegãos chegados a Portugal nos últimos dias “encontram-se bem de saúde, calmos e ainda a instalarem-se nos espaços onde estão acolhidos”.

Estão neste momento acolhidos em centros de acolhimento na área de Lisboa, referiu. (MM e Lusa)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here