Vera, a ativista dos direitos humanos na diáspora que quer ser líder de futuro em Moçambique

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Mestranda numa universidade britânica

Precidónio Silvério

A imigrante moçambicana, no Reino Unido, Vera Guiliche, é um dos rostos de futuros jovens líderes que partiu de Moçambique para o mundo após o seu potencial despertar atenção de uma organização não-governamental que apostou no espírito de liderança da estudante e sua vontade de mudar o rumo das coisas para melhorar o país.

A sua trajetória começa em tenra idade, quando decidiu envolver-se em iniciativas sociais, mas foi a partir de um programa de emponderamento de raparigas na área de liderança e empreendedorismo que a jovem moçambicana descobriu novos horizontes.

Vera viu no ativismo social e nos estudos as suas principais armas para conquistar o mundo e não é por menos. Aos 23 anos de idade, tinha já o nível de licenciatura em Administração Pública concluído numa universidade em Maputo.
Em 2017, rumou aos Estados Unidos de América para um intercâmbio académico, uma iniciativa de cooperação entre universidades no domínio de transferência de conhecimentos.

“Foi uma das melhores experiências que já tive. Estive lá num período de seis meses. Desse intercâmbio, nasceram novas experiências, novas pessoas com diferentes perspectivas culturais”, contou ao jornal É@GORA.

Actualmente, a líder em “forja”, é mestranda em Agricultura e Desenvolvimento pela Universidade Reading, na Inglaterra. Vera nutre um propósito inalienável, que é defender os direitos humanos, especialmente a luta pelo bem-estar da mulher, opondo-se contra todas as formas de violência à esta camada social.

Imigrar para estudar: Uma porta para cruzar países

A jovem acredita que o contacto com o exterior é fundamental para se tornar uma líder com créditos firmados. Seja por isso que da Inglaterra já viajou para conhecer outros países, inclusive Portugal, de onde começa a ter saudades. E com a Covid-19, por estes dias, é de longe pensar em voltar. Apesar da parcial reabertura de fronteiras, todo o cuidado é necessário.

Em Janeiro deste ano, Vera esteve em Lisboa pela segunda e última vez até então, ido para um seminário sobre emponderamento da mulher. A jovem faz parte de uma organização não-governamental portuguesa e que actua também em Moçambique, com sede na província de Nampula, no norte do país.

A estudante e ativista, hoje com 25 anos, conta suas experiências como imigrante na Europa, até porque quando a pandemia passar, quer voltar para alguns destinos que não lhe escapam à memória. Portugal é um deles.

“Sinto me bem tratada como imigrante, aqui na Inglaterra e em alguns países que já estive. Tenho amigos por cá e não sofro com tendências de discriminação. Na escola, inclusive, muitos somos estudantes internacionais e há muito respeito”, contou Vera.

“Veja que já estive em Portugal, gostei de ter lá estado. Cá na Inglaterra conheço pessoas que tanto desejam ir para lá e só não vão neste período de verão por causa da situação epidemiológica”, acrescentou.

A socialização com nova realidade, entre novos hábitos e costumes é uma das dificuldades que um imigrante tem que enfrentar quando chega a um país, mas para Vera este não foi problema algum. A moçambicana já tem uma vantagem: o domínio do inglês.

“Não me foi difícil socializar quando cá cheguei. Eu já vivi nos Estados Unidos de América, quando ia fazer uma formação, então as duas sociedades são falantes da língua inglesa e há muita coisa em comum”, afirmou Vera.

Confinada, estresse e superação

As aulas na Inglaterra continuam em plataformas digitais, depois do encerramento das aulas presenciais em março passado. Em Reading, Vera vive com um família que a acolheu, logo que chegou de Maputo. Esta e os amigos foram e estão a ser fundamentais para ela se superar das mazelas de confinamento.

Maior parte dos seus colegas e amigos viajou para os seus países de origem logo depois do decreto de estado de emergência. Contou que apesar da distância, o contacto continuou, via recursos digitais.

“Não foi fácil gerir estresse. Mas tínhamos que encontrar um jeito. Foi por isso importantes as redes online, que nos conectavam mesmo de longe. A universidade também tem estado a apoiar-nos positivamente, estendendo prazos de entrega de trabalhos”, explicou.

Vera, prossegue: “Além de extensão dos prazos, temos apoio psicológico e tutores em prontidão para nos dar a devida assistência”.

O conforto moral durante os dias fechada em casa veio também dos seus pais e parentes. Já é um ritual a estudante manter-se em contacto com a sua família em Maputo, quase todos os dias, desde que chegou no Reino Unido, mas também durante outros destinos que já fez.

A Covid-19 veio aumentar a preocupação pelo bem-estar de outrem e não foi uma excepção para a família Guiliche.

“Eu falo com os meus pais quase todos os dias, cada uma das partes procurando saber do outro. Partilho minhas fotos para eles e deles para mim, é o mínimo que podemos fazer por estas milhas que nos separam”, diz.

Apoio da família e amigos foi fundamental, mas agora, Vera já pode sair à rua, aos parques, por exemplo. Reino Unido vai, aos poucos, relaxando algumas medidas, as pessoas só têm que continuar a se prevenir e a respeitar o comando das entidades de saúde.

“As coisas já estão a ficar tranquilas. Já podemos sair e aceder ao campus e a biblioteca da universidade, aos parques onde fico a fazer leituras. O verão está intenso, então está sendo bom poder sair de casa e refrescar”, afirma.

A estudante moçambicana disse ao jornal É@GORA que voltará a Maputo com conhecimentos sólidos sobre agricultura e desenvolvimento, carreira com que quer contribui para o crescimento do seu país. (PS)

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