Veredito: Culpada / Crime: Nasci Mulher

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FOTO: MARTIN SCHOELLER ©️

Adelaide Miranda
(Life Coach de Alta Performance)
Nasci condenada. Estou condenada. A pena: prisão perpétua, ou seja, até o último dos meus dias. O crime: nasci mulher!
Em pleno século XXI continuo a ser condenada por ser do sexo feminino. Continuo a ter de lutar dez vezes mais para ser ouvida e respeitada seja no trabalho, seja na sociedade. Continuo a ter de justificar o que visto perante os olhos da sociedade. Continuo a ter de explicar que um não é não. Continuo a sofrer em silêncio apenas por ter nascido mulher.

Chamadas de sexo fraco logo à nascença, carregamos a “cruz” da maternidade. Carregamos em nós os “homens” do amanhã e sofremos piadas no trabalho por ficarmos em casa a nutri-los, a educá-los, a garantir que a humanidade continue… Gravidez não é doença, concordo, mas carregar o tesouro da sociedade não é irrelevante, pois não?
Nasci condenada. Estou condenada. O meu crime: nasci mulher!

Até quando? Até quando tenho de justificar que também tenho direito às minhas opiniões? Até quando tenho de provar que sou capaz de fazer tudo aquilo que me proponho? Até quando tenho de reforçar que não sou um símbolo ou objeto sexual? Até quando terei de reprimir os meus pensamentos? Até quando? A resposta: até morrer…

Recuso-me. Recuso-me a ser condenada apenas por ser mulher. Recuso-me a ser condenada por ter nascido com o dom de criar, de cuidar, de ser… Recuso-me. Basta! Chega! “Finito”! O grito da revolta sai hoje, dia 8 de março de 2021. Contudo, nunca me revolto sem uma solução. E, também não sou ingénua a pensar que as mudanças se irão notar a partir de hoje. Tenho um plano! Tenho um plano que se pusermos em prática será um dos planos mais geniais da sociedade moderna! O plano: educar os nossos filhos sobre a igualdade de género.

Existe um ditado que diz: “burro velho não aprende”. Embora eu acredite que todos aprendemos se assim o quisermos, vou usar esse ditado e vou adicionar: “se burro velho não aprende, burro novo pode ser ensinado”. Portanto, é importante, essencial e obrigatório educarmos os nossos filhos sobre a igualdade de género.

A mudança começa nas crianças de hoje que serão os adultos de amanhã. As crianças de hoje irão moldar o futuro de acordo com a sua mentalidade. Novas regras, novas leis, novas rotinas, novas crenças…

Ensinemos os nossos filhos que não existe cor especial para meninos e para meninas, todos podem usar a cor que gostam sem medo de serem julgados por isso. Ensinemos os nossos filhos que cozinhar, limpar a casa, mudar uma lâmpada e montar um móvel são coisas que os meninos e as meninas devem saber fazer. Ensinemos os nossos filhos que sentirmos as nossas emoções é um direito nosso, sim as meninas e os meninos choram, sentem… Ensinemos que temos fisiologias diferentes, mas direitos iguais.

Nasci condenada. Estou condenada. O meu crime: nasci mulher!
Não quero que esta seja a realidade das nossas filhas. Que a sociedade mude. Que os “burros velhos” de hoje, aprendam para ensinar os “burros novos” de amanhã.

Há que lembrar que por mais que exista resistência quando tem de ser o ser humano adapta-se. Que a necessidade de educarmos os nossos filhos sobre a igualdade de género seja tão vital como o uso de máscaras, álcool gel e manter as distâncias de segurança.

Hoje, celebra-se o dia Internacional das Mulheres, para lembrar todas aquelas que disseram basta e não aceitaram as limitações que a sociedade colocou. Esperemos que daqui há uns anos, este dia passe à história.
O novo lema: “Nasci livre. Sou livre. Nasci mulher!” Para quando? (X)

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