Vídeo que mostra jovem negro forçado a inalar fumo de tubo-escape reacende debate sobre racismo em Portugal

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Foto Jornal É@GORA ©


Manuel Matola

Um vídeo que está a circular nas redes sociais em que se vê um homem negro a ser obrigado a inalar fumo saído de tubo-escape de um carro voltou a colocar hoje Portugal no centro da discussão sobre o racismo, quatro dias depois do chamado “Caso Marega”.

O vídeo de trinta segundos, a que o jornal É@GORA teve acesso, mostra o homem negro a ser forçado por um grupo de homens brancos a colocar a cara em frente ao tubo de escape de uma viatura com matrícula portuguesa.

Apesar de o automóvel estar parado, havia um condutor ao volante que acelerava repetidas vezes, quando, na parte traseira do carro, alguém segurava a cabeça do homem obrigando-o a abrir os olhos.

Entre várias tentativas de acerto, o motorista volta a acelerar no exato momento em que a vítima, já de joelhos, está com o rosto em frente ao tubo de escape.

Assim que cai de joelhos, o homem acaba por ficar com a cara totalmente coberta com cinza preta.

O ato ocorreu na presença de algumas pessoas que filmavam a cena, onde, a dado momento, entre gargalhadas, se ouve alguém gritar: “Marega”, numa comparação ao caso do jogador franco-maliano do FC Porto que no domingo abandonou o campo após ter sido alvo de cânticos racistas dos adeptos do Vitória do Guimarães.

Paulo Lameira, um dos usuários da rede social Facebook que partilhou o vídeo, solicitou a intervenção urgente das autoridades portuguesas.

“Governo português, tomem atitude perante essa situação, antes que vos fuja do controlo e aí não sei o que vai acontecer”, disse Paulo Lameira que defende que “tem que se pôr um fim a essa prática de racismo e de xenofobia”, até porque “Portugal não pode permitir isso, porque não deve”.

“Em pleno século em que estamos, um país da União Europeia que diz respeitar os direitos dos cidadãos, os direitos humanos, não pode permitir esse tipo de situação”, lamentou Paulo Lameira, assinalando que é “uma situação fácil” de a polícia resolver, “porque os infratores podem ser apanhados através da (identificação) da matrícula do carro”, que “é visível” no vídeo.

O denunciante conta que “a pessoa que obrigou (o jovem negro) a estar de joelhos ainda o obrigou a abrir os olhos para que o fumo lhe entrasse nos olhos”.

“E ainda por cima chamaram o jovem de Marega”, mais um sinal que demonstra que “a situação é recente”, contou Paulo Lameira revelando-se contrariado com o caso.

E “por ser um aviltante atentado à dignidade”, o dirigente do SOS Racismo, Mamadu Ba, recusou partilhar o vídeo dado o “caráter sádico e aviltante, com requintes de tortura” da atuação dos protagonistas.

“Por ser um aviltante atentado à dignidade, não vou partilhar o vídeo sem o consentimento da vítima. Independentemente das circunstâncias e da identidade dos criminosos, o caráter sádico e aviltante, com requintes de tortura, não pode ficar impune, sejam quem forem os criminosos”, afirmou.

Numa nota publicada no Facebook, Mamadu Ba refere que “o jovem ficou com a cara toda coberta com cinza preta e foi sendo chamado por Marega pelos agressores (uma clara alusão ao racismo de que este foi recentemente alvo) ao som de gargalhadas, enquanto decorria a agressão. A matrícula do veículo é visível no vídeo, pelo que as autoridades podem facilmente identificar os criminosos que devem ser severamente punidos pelos seus atos”.

O ator português e apresentador de televisão Rui Unas, que também partilhou apenas uma foto nas redes sociais, descreveu o vídeo como “absolutamente nojento” e “racista”

“Estou, no entanto, muito, muito chocado… pensei que isto não acontecia em Portugal”, escreveu a propósito da imagem que está a desencadear fortes reações na sociedade portuguesa, e não só, sobre o caso de alegado ato de racismo.

“Vi um vídeo absolutamente nojento. Desejo que seja montagem, mas a matrícula é portuguesa e parece-me legítimo. Não o vou colocar aqui. Não tenho dúvidas que será viral em breve e será alvo de muita polémica”, disse Rui Unas.(MM)

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